Universo Online
Web Sites
              Pessoais

Teologia

página atualizada em 25/03/2000

A música de fundo se chama "Ninguém te ama como eu" e é uma das músicas que mais gosto

Jesus nos ama infinitamente

Em Jerusalém assistimos o Nascimento do Menino Jesus, o Cristo, o filho de Deus. Eis que agora nos encontramos no Continente Asiático, na cidade de Jerusalém, no ano 33, século I. É uma viagem de quase 2000 anos atrás! Assim que chegamos, percebemos que estamos num belo recanto cheio de verde. No fundo havia uma bosque e muitas ovelhas pastavam tranqüilas.

A Páscoa De Jesus

Foi num recanto perto de Jerusalém, onde ouvi Jesus orientando os apóstolos sobre a celebração da Festa da Páscoa do seu povo.
Os judeus têm uma história muito antiga. Diversos acontecimentos da vida desse povo, do qual nasceu Jesus, estão narrados na primeira parte da Bíblia, chamada Antigo Testamento. Nessa parte, estão reunidos ensinamentos para a vida, histórias e pregações de homens de fé, chamados Profetas. Num dos livros, o Êxodo, narra sobre o tempo difícil em que os judeus viveram no Egito, como escravos. Narra também os fatos ligados á fé em Deus que deram força para eles se libertarem. Com a proteção de Deus e guiados por um líder chamado Moisés, os judeus conseguiram passar da escravidão para a liberdade. Saíram do Egito e foram construir a sua nação, na Palestina. A festa da Páscoa celebrava essa grande liberte-o: a passagem que livrara o povo judeu da escravidão.

A ceia pascal de Jesus

Naquela tarde, pude ouvir parte da conversa entre Jesus e seus discípulos quando ele lhes explicou como queria os preparativos ceia da Páscoa. Sempre á um canto, discretamente afastado, assisti Jesus, com uma toalha amarrada á cintura, carregando um jarrão de água e uma bacia, lavando os pés dos doze apóstolos.
Depois de algum tempo, vi quando Jesus pegou um pão inteiro com as duas mãos, seu olhar doce se voltou para os apóstolos, um por um. Havia um diferente. Em seus olhos, um brilho bonito e ao mesmo triste. Quando o olhar de Jesus encontrou-se com o de Judas Escariotes, o apóstolo baixou os olhos. Novamente os olhos de Jesus voltaram-se para o pão. Colocou-o sobre a mesa. Olhou fundo como se o pão fosse um espelho. Estendeu as mãos sobre ele, abençoando-o. Fez uma oração de louvor e a agradecimento. Tomou o pão de novo, com as duas mãos e, olhou emocionado para os doze. Disse o Senhor então: "Tomai todos e comei. Isto é o meu corpo, que será entregue por vós".
E em seguida, partiu o pão, dando um pedaço a cada um. Todos comeram num profundo silêncio. Em seguida, Jesus pegou a taça de vinho. Vi então que esta era maior que as outras, parecia especial. De novo, o olhar de Jesus estende-se sobre os apóstolos. Sua voz ressoou solene:
"Tomai todos e bebei. Este é o cálice do meu sangue. O sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para o remissão dos pecados".
Jesus segura o cálice e completa: "Fazei isto em minha memória!"
Um por um, todos bebem do cálice. Ninguém diz uma só palavra. Pensei então em quantas vezes ouvi o padre dizer essas palavras na Missa e nem pensei em Jesus! E foi ele que falou: "Fazei isto em memória de mim".
Depois Jesus convidou os onze para irem orar no Monte das Oliveiras. Notei que seus olhos estavam com um brilho diferente, como se estivessem molhados. E saíram. Jesus e os onze: Pedro, André, Tiago (filho de Zebedeu), João, Felipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus, Tiago (filho de Alfeu), Tadeu e Simão. A noite estava clara. Era tempo de Lua cheia.
Em seguida, assisti o sofrimento atroz de Jesus no Horto das Oliveiras. O Filho de Deus sabe tudo o que vai passar, vê e sente os pecados todos do mundo, principalmente os nossos, de hoje... E na testa de Jesus, o suor escorria, vermelho como sangue. Parecia que o mundo inteiro estava desabando sobre Ele...
Sentindo um aperto no coração ao ver Jesus chorar, escondi-me e também chorei baixinho. Minha emoção foi interrompida por um movimento de luzes: eram as tochas acesas que se aproximavam.
Daí, então, Jesus é preso e flagelado terrivelmente. Vilipendiado, ofendido, julgado injustamente e condenado da forma mais vergonhosa que podia existir: será pregado em uma cruz. Terá uma morte lenta, humilhante e dolorosa.
Levado para ser sacrificado, como um cordeirinho...
A multidão amontoava-se na praça que se estendia diante do Pretório. Esse era o local onde o governador romano fazia seus julgamentos. Emocionado e cansado, ainda estava lá, no meio da multidão. Não conseguiria voltar para casa sem presenciar o acontecimento da vida de Jesus até o fim. Atordoado, ouvi as conversas das pessoas á sua volta:
- O governador Pôncio Pilatos está tentando livrar Jesus.
- Mas não vai conseguir.
- Ele mandou que chicoteassem Jesus. É um duro castigo.
- Mas as autoridades de Jerusalém estão dizendo que Ele está contra o imperador de Roma, porque Jesus disse que é um rei.
- Você sabe que isso não é verdade. Jesus nunca falou que é rei deste mundo. Ele falou do Reino de Deus.
- É, mas Pilatos está numa situação difícil. Ameaçam dizer que ele não está cuidando direito dos interesses do imperador...
- Veja, é Jesus. Olhe só o estado dele!
Meus olhos se voltaram para o Pretório. O que vi foi impressionante: Jesus á frente de um grupo de soldados. O rosto, o corpo e a roupa cobertos de sangue. Na cabeça uma coroa de espinhos. Nos ouvidos, ressoavam gritos da multidão:
- Crucifica-o! Crucifica-o!
E, num instante de silêncio, a voz de Pilatos:
- Eis o homem, levai-o para ser crucificado!
Uns homens rudes e fortes pegaram uma grande madeira e colocaram-na sobre os ombros de Jesus. Percebendo que, ferido como Ele estava, não conseguiria carregar, olharam para o chefe dos soldados. Este, vendo a multidão chamou um homem forte e corpulento e ordenou: - Ajude-o a carregar o patíbulo (tora de madeira que forma o braço da cruz)! Ajude com firmeza. Ele esta arrebentado e precisa chegar ao lugar da execução da sentença.
Seguindo aquela dolorosa procissão, lembrei do cordeirinho sendo levado ao altar para o sacrifício. A imagem do cordeiro, preso no cercado do Templo, para ser sacrificado, veio-me a mente.
O tempo passou. Refletindo pensei: Ele sofreu tanto. É preciso sofrer para salvar os outros?
O sofrimento não é o mais importante, amar é o mais importante. Enfrentar o sofrimento por amor a alguém vale a pena. Veja o crucifixo.
Meu olhar continuava fixo no crucifixo na parede do quarto.
É uma imagem bonita não porque mostra a dor mas porque mostra o amor. Jesus amou tanto, que até enfrentou a morte na cruz. É esse amor que dá força, que inspira confiança.
O sono foi chegando e adormeci sonhando com Jesus e os discípulos.

Olhem meu peito rasgado: sou Eu!
Lembrando Jesus pregado na cruz, o corpo coberto de sangue e terra. Jesus, na última Ceia, pegando o pão e, com o olhar grave, dizendo: "Isto é o meu corpo, que será entregue por vós". E depois, pegando o cálice com vinho: "Este é o cálice do meu sangue, que ser derramado por vós, para o perdão dos pecados".
Nessa hora, veio-me á mente, mais uma vez, a figura de João Batista apontando para Jesus, dizendo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Lembrei-me também de Ter visto o padre com a hóstia nas mãos bem levantada a dizer: "Eis o Cordeiro de Deus. Que tira o pecado do mundo". Só então compreendi com o coração, aquilo que li e ouvi tantas vezes: Jesus está na Hóstia e no Vinho consagrados (que se tornou sagrado depois de oferecido a Deus. A hóstia e o vinho ficam consagrados quando o padre repete na missa os gestos e as palavras a de Jesus na última ceia). Ele quis ficar presente, num dom de amor, para dar força aos seus discípulos. A Hóstia (o pão) e o vinho são o Corpo e o Sangue de Jesus. O altar é a cruz. Não há coisa mais bonita e que nos dê tanto o amor de Deus como a Comunhão.
Lembrei-me também de Jesus, perto de um poço, falando a uma samaritana: "Eu sou a água da vida. Quem bebe desta água, nunca mais terá sede".
Lá, no fundo do coração, senti também que não era verdade o que escutei lá no Calvário. Jesus está Vivo!! Ele vive no nosso próprio coração, na vida dos cristãos. Ainda há poucos meses, a Festa da Páscoa foi comemorada. Festa que passou a ter outro significado para os cristãos: a celebração da ressurreição de Jesus, de sua passagem da morte para a vida.
Enquanto sonhava, pensei: "Como os apóstolos reagirão quando virem Jesus vivo, na frente deles??"
As portas estavam fechadas, mas, pude espiar por um vão da parede do fundo. Lá estavam dez apóstolos: Pedro, Tiago (filho de Zebedeu), João, Mateus, Felipe, Bartolomeu, Simão, Tadeu, Tiago (filho de Alfeu) e André. Faltavam Tomé e Judas.
Cuidadosamente observei cada um. Pareciam temerosos e assustados. Pedro falava e outros questionavam assim: "Maria Madalena afirmou com segurança que viu o Senhor. Estive lá. João foi comigo. O sepulcro estava aberto, a pedra estava rolada para fora. O lençol, dobrado num canto. O corpo não estava lá!"
- Não é possível! E os Guardas ?. O corpo não estava lá. O corpo não estava lá! Madalena insiste em firmar que viu Jesus e falou com Ele, bem cedo!"
De repente, Jesus apareceu no meio deles, cara a cara, saudando-os: "A paz esteja com vocês. Vejam, sou eu mesmo. Olhem minhas mãos chagadas. Olhem meu peito rasgado... Sou eu!"
Vi como o espanto dos dez se transformou em alegria. O rosto de todos passou a brilhar de felicidade. Aproximaram-se e sentaram-se diante dele. Jesus disse de novo: "A paz esteja com vocês". E continuou: "Assim como o Pai me enviou, eu os envio". Depois soprou suavemente sobre eles, num giro de cabeça que permitiu a cada um sentir o ar que saia de sua boca. E falou: "Recebam o Espírito Santo. Aqueles á quem perdoarem os pecados, serão perdoados..."
Nesse momento, os apóstolos abaixaram a cabeça. Jesus desapareceu. Eles levantaram o rosto, entreolharam-se felizes. Pedro disse logo: "Madalena falou a verdade. Jesus está vivo! Jesus Ressuscitou!"
Nesse instante bateram a porta. Era Tomé.
A ressurreição de Jesus foi tão escondida. Ele apareceu somente para os seus amigos. Mas sua morte na cruz lá no alto do Calvário, foi tão diferente. Todo mundo viu? Porque isso?
- Meu filho, não posso responder sobre os caminhos do e amor de Deus. O que sei é que esses caminhos não são do jeito do mundo, na base da força, do espetáculo, da grandeza. A ressurreição de Jesus fortaleceu a fé dos discípulos mostrando-lhes que nem a morte, nem o mal vão vencer na vida. O caminho dessa vitória foi o caminho do amor, e o caminho da cruz. Você sabe qual foi a primeira coisa que Jesus fez quando apareceu aos apóstolos pela primeira vez depois de sua ressurreição?
Foi dar-lhes o poder de fazerem o maior ato de amor: perdoar em nome de Deus.
Nós recebemos esse perdão de Deus no sacramento da confissão. A gente confessa os pecados àqueles que hoje, são os nossos apóstolas, os sacerdotes.
Mas eles são homens como a gente... Eles também erram.
Sim, mas os sacerdotes, como os apóstolos, foram chamados a seguir Jesus de um modo diferente das outras pessoas, isto é, dando suas vidas para a missão de continuar a obra de Jesus. E Deus lhes concede o poder de perdoarem. É um poder que vem do amor de Deus. Eles têm esse poder não porque são melhores que os outros, mas pela missão que devem cumprir para o bem dos cristãos.
Os homens cometem muitos pecados. Mas o pecado é o que vem do egoísmo, que nada mais é do que falta de amor.
Se os homens fizessem menos pecados, haveria mais amor. Aí não veríamos miséria e tantas coisas ruins acontecendo em nossas vidas.
Sinta Jesus vivo ao seu lado. Ele é o seu Santo companheiro na caminhada desta vida rumo ao céu, sua pátria definitiva. Uma feliz Páscoa!
©Padre Sérgio Palomo

[ Deus pertinho Ed. Ática ]

Caríssimos:

Este é um texto adaptado por mim para a primeira pessoa. Isso me surpreendeu porque a sensação de tristeza e um nó na garganta ficou por longo tempo. Ao assumir a posição do personagem senti que podia ver aquela cena brutal inteira.

Mas o Evangelho não quer que nós apenas sintamos autopiedade por nossas fraquezas.
Infinitas vezes senti o olhar penetrante de Jesus me olhando com compaixão. Ele sabia o que estava por vir e nem por isso deixou de lado o amor por nós, ao contrário, surpreendendo-nos com uma atitude de profunda esperança no futuro da raça humana, entregou-se ao Pai com uma frase simples: "pegue sua cruz e me siga..." (Lc 9:23).
Estamos na Quaresma, tomemos nossa cruz, fixemos nossos olhos em Jesus e sigamo-lo - é o que ele ainda espera de nós.

Não nos esqueçamos de suas palavras: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (Jo 14:6)


"Pai, obrigado por vossas inúmeras bênçãos, tanto por aquelas que eu percebi, quanto pelas que não vi. Enche ainda mais de vossa graça e deixai que vosso amor flua através de mim para todos os que eu encontrar hoje."
© A palavra entre nós - Dezembro/99 Janeiro/2000 - Pág 49


Faça bom proveito, que Deus o abençoe. E se sentir vontade de dizer algo, clique aqui para enviar sua opinião ou comentários. Creia, eles serão benvindos.

Reflita sobre isso.