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Vírus de Computador e Segurança de Dados

página atualizada em 09/07/2000

Continuamos ainda a questionar o mundo "Underground" prosseguindo com um texto que expressa a ação contínua no mundo atual.

Muito se fala sobre o vírus I Love You.  É tanto que nem vale a pena, neste momento falar mais ainda sobre ele, para isto, basta que você consulte qualquer provedor. Por ora vamos continuar um trabalho que tem e precisa de seqüência.

 1992: HISTERIA E VÍRUS MACHINES

    O ano de 1992 foi marcado por uma crise histérica. Se tornou evidente que a população pouco conhecia a respeito de vírus e que a mídia adorava alimentar o pânico a incentivar o bom senso. Um vírus descoberto em 1991 tinha se mantido obscuro até então. Seu payload podia apagar o disco rígido. A data de gatilho dele era 6 de Março, o dia do nascimento de Michelangelo. O nome pegou. 
Em Janeiro de 1992, um grande fabricante de computadores anunciou que havia despachado 500 PCs contaminados com o vírus. Poucos dias depois outra empresa admitia que acidentalmente havia distribuído 900 disquetes infectados. Era o início de uma campanha histérica que ficaria na história dos vírus. A mídia divulgava a afirmação de que 5 milhões de computadores pelo mundo poderiam cair vítimas do Michelangelo. Os departamentos de marketing das empresas de antivírus tomavam suas providências a fim de captar a atenção da mídia e, oportunamente, promoviam a empresa distribuindo gratuitamente softwares de detecção. 
Muitos pesquisadores tentavam desfazer a histeria, mas a mídia simplesmente não dava ouvidos. O pânico percorreu o mundo e as histórias sobre o Michelangelo raramente questionavam as astronômicas estimativas, algumas afirmando que um de cada quatro PCs existentes no mundo cairiam sob o ataque do Michelangelo. 
Finalmente, quando o "dia-M" chegou, os cálculos divulgados indicavam que cerca de 10.000 a 20.000 computadores (5.000 a 10.000, segundo um especialista famoso) e não 5 milhões haviam sido vítimas do vírus. O Michelangelo havia se tornado um grande fiasco de alcance mundial. Durante dias não se falou mais sobre vírus na mídia e o fato abalou a reputação dos especialistas (aos quais se creditavam as afirmações e estatísticas alarmantes) e prejudicou o crédito daqueles que tentavam implantar estratégias de defesa contra os vírus.
Também em 1992, foram encontrados os primeiros pacotes destinados à autores de vírus. O VCL (Virus Creation Laboratory) de "Nowhere Man" (do grupo NUKE) e a Dark Angel's Phalcon/Skism Mass-Produced Code Generator foram descobertos em Agosto. Esses pacotes eram "vírus machines" que permitiam a qualquer um que utilizasse computadores produzisse um vírus. É claro, dúzias de vírus surgiram fabricados por essas máquinas. O próximo passo seria aperfeiçoar tais máquinas para que produzissem vírus realmente polimórficos, eficazes contra a detecção. 
Um novo grupo de autores de vírus surgiu em 1993, na Holanda. Chamava-se Trident e o principal autor do grupo, Masouf Khafir produziu o Trident Polimorphic Engine e lançou um vírus utilizando-a, chamado Girafe. Ao contrário de uma polimorfic engine de Dark Avenger, a MtE, o TPE era muito mais difícil de se detectar. Nowhere Man, do NUKE lançou o Nuke Encryption Engine e, Phalcon/Skism, da Dark Angel lançaram o DAME (Dark Angel's Multiple Encryptor). A Trident lançou a versão 1.4 do TPE, ainda mais difícil de detectar que a anterior. Em 1993 surgiu um vírus altamente polimórfico, chamado Tremor e, Lucifer Messiah, da Anarkick System lançou o PoetCode, usando a versão 1.4 do TPE.
A fácil produção de vírus e sobretudo de vírus polimórficos ia de encontro com a falta de especialistas de nível para desmontar um vírus e descobrir formas de detectá-lo. De certa forma, as crescentes facilidades em se criar vírus fazia com que a quantidade de vírus novos aumentasse mais do que a capacidade de analisá-los. E a possibilidade de se criar vírus polimórficos diferentes em larga escala dificultava ainda mais a capacidade de resposta dos produtores de antivírus em atender a demanda. Os vírus furtivos tentam enganar os checksummers, de forma que alterações nos arquivos não se tornem aparentes. Mas os vírus polimórficos visam os próprios scanners de vírus, de forma a inutilizar a pesquisa por strings. Detectar tais vírus implica em desenvolvimento de algoritmos de detecção, mais complexos do que a pesquisa de strings de detecção e, além disso, alarmes falsos são problemáticos no caso dos vírus polimórficos. Scanners buscando vírus polimórficos podiam acabar indicando alguns arquivos inocentes como suspeitos. 
 


Meus comentários


É de textos ricos em informações básicas que compreendemos mais claramente como os vírus tem um poder de propagação tão alto. É na união de esforços individuais aliado á métodos de comunicação e máquinas de produção de vírus, mais fábricas do que a Búlgara.

É contra esse tipo de ação que muitas vezes pretendemos agir.  Sinta a fragilidade do usuário contra esse tipo de ação.  

Também chama a atenção o fato de muitas empresas inicialmente terem utilizado parte do código virótico como referência para identificar o vírus.  Até o surgimento dos chamados polimórficos isso era prática comum, entretanto, o surgimento deste inutilizou o processo de detecção tornando necessário a criação de novos métodos.  Naquela época, o Instituto Patricia Hoffman, trabalhando conjuntamente com a McAfee criou os primeiros padrões. Isso causou críticas no meio técnico pelo "protecionismo" sugerido na época do Instituto pela McAfee.

Protetores com tecnologia Heurística foram chamados de ineficazes - na época o Thunderbird Anti vírus.  Veja que no entanto, hoje em dia é um método utilizado inclusive pela McAfee e pela Norton

Não é minha intenção criticar especificamente quem quer que seja, sou apenas o observador técnico e, sinto de uma maneira geral a fragilidade dos "anti-vírus" diante de um processo antigo e ininterrupto da criação de "máquinas de destruição".  Como se já não bastasse as dificuldades naturais dos sistemas existentes e ainda somos sujeitados à indivíduos - sim, indivíduos ao pé da letra, com todo o egoísmo inerente - que pela falta de oportunidade insistem em atuar no outro time, ou, estranhamente mudam de time em troca de salários astronômicos.  Não são poucos aqueles que usam esta "ponte" para ocupar cargos altamente técnicos.

Saibam que os maiores salários pagos à profissionais técnicos da área é para ex-hackers.

Boa Reflexão

Analise, tire suas conclusões e faça seus comentários.
Abraços e até a próxima.

Me escreva contando fatos e fazendo perguntas. Sempre estarei, dentro do possível, respondendo dúvidas e aconselhando no que for possível.